Em programação: Não vamos fantasiar né, vamos valorizar um pouco mais os alicerces que sustentam nossas casas.
Esses dias eu estava vendo o que alguns programadores andam dizendo e fazendo por aí e fiquei chocado com algumas colocações. Separei três delas que eu considerei inconsequentes e comentarei pelo meu ponto de vista…
A primeira delas: “Sou formado em Oracle mais desenvolvo em MS-SQL por que é uma tendência de mercado.” (quem disse foi um profissional que atualmente aderiu o uso da programação Ruby).
A segunda: “O Delphi pelo visto não vai sair do mercado, foi incorporado ao Firebird e ainda foi facilitado seu uso com MySQL, mas por que não fizeram melhor: incorporar ao PostGresql? Estão ressuscitando…” (um profissional Web que defende o uso de Sistemas Interpretados em substituição aos Compilados).
A terceira e pior de todas: “Quando eu iniciei o projeto eu tive muito medo e hoje vejo que tomei a decisão acertada.” (quem disse foi um profissional que iniciou um projeto de reformular todos os sistemas de uma empresa, que era em Clipper – Banco DBF.)
Comentando então, o que eu considero inconseqüentes pela falta de experiência política e técnica a cerca das Linguagens e do Mercado:
Primeiro) Se você é formado em “alguma coisa” e defende “outra” é sinal claro de que não conhece qual o caminho deve tomar. E o caminho errado pode ter prejudicado seu maior investimento que é o aprendizado. Isto pode ser um problema para o profissional que depois de algum tempo pode se sentir frustrado por não conseguir por em prática sua teoria, afinal ele aprendeu uma “coisa” que achava ser o certo e depois acabou por desenvolver outra por que passou a achar que era uma tendência do Mercado, ou seja, tendência dos outros.
Quem faz alguma tendência é você mesmo em mostrar que pode vencer e fazer uma empresa funcionar com os recursos que você desenvolveu. Afinal, “tendência” é aquilo que dá certo! E o que dá certo para uns pode não dar para outros. Portanto, se você não acreditar em si mesmo, vai ficar sempre achando que a tendência é o que vem de fora.
Segundo) Ressuscitar o que nunca morreu? Mais uma vez eu vou dizer: Não há como dizer que Linguagens como o Delphi possam simplesmente sair de cena, por que não há como retirar do mercado “experiência”, “facilidade” e “robustez” sem sofrer prejuízos. E nem a empresa que o detém e nem os programadores Delphi pensam nisso. Só pensa nisso que não sabe programar em Delphi e nem sabe a diferença entre as diversas linguagens existentes e o propósito de cada uma delas.
Delphi é uma Linguagem experiente, segura, com uma biblioteca vastíssima (que nenhuma outra tem!), possibilidades de expansões, compartilhamentos e ligações a Bancos de Dados com a facilidade que nenhuma outra tem! Isto é fato! É notório!
Não se aprende o melhor do Delphi com a mesma rapidez que se aprende outras linguagens de programação, porém, depois que se aprende Delphi tudo o que precisar ser feito, será! Com o Delphi não há bloqueios, o bloqueio é somente o programador. Você é capaz de utilizar a maioria das linguagens mais de 80% num único programa e logo recorre a bibliotecas e fontes externas para complementos, entretanto, eu duvido que você já tenha utilizado num único programa mais que 20% do Delphi e se você conhece o Delphi completo e a fundo nem irá precisar de bibliotecas ou fontes externas para construir absolutamente nada! Apenas os relatórios com seus principais parceiros Quick Report e Rave.
Só para lembrar, que não tem o como comparar Delphi com linguagens Web, Delphi é Linguagem Desktop com recursos locais e remotos em redes internas ou externas e é Compilado, já as linguagens como Python, Ruby, Java, Asp, Perl e Php são interpretadas e são para uso limitados a Web, por que diferente disso é forçar a barreira da ignorância e da segurança. Não vamos falar de custos nem da massificada frase “custo X benefício” que até hoje ninguém conseguiu resolver esta matemática adequadamente.
Terceiro) O cara diz que teve medo de iniciar um projeto por que no fundo nem ele mesmo acredita naquilo que defende. Seu projeto, porém, só conseguiu a aceitação depois de dois anos de argumentação e após forçar, direta e indiretamente, a demissão de quase todos os seus colegas da Informática e até hoje esta empresa ainda é Clipper!
Pensem que tudo que foi desenvolvido em Clipper para esta empresa ainda é a base de seu funcionamento. Imaginem meus caros colegas, que pretendem mascarar com lindas telas o que já existe lá funcionando.
E isto é realidade em muitas empresas que acham que podem mudar todos os seus recursos da noite para o dia apenas por que se deseja ver algo bonitinho funcionando nas telas. A propósito, por conta disto, tenho visto muitos Sites de empresas famosas funcionarem muito mal em navegadores como o Google Chrome e o Safari! Lamentável.
Acho que podemos ser práticos e melhorarmos nossos recursos sem ter que agir pelo impulso “moderninho” do mercado. O cliente final quer ver “resultados” e não “fotólises”(*). Essas “carinhas bonitinhas” que a gente vê por aí acabam ofuscadas pela experiência, e, um pouco de tradicionalismo sempre nos resguarda de cair em falsos investimentos.
Em programação: Não vamos fantasiar né, vamos valorizar um pouco mais os alicerces que sustentam nossas casas. Esta é a grande dica.
(*) Fotólises – utilizei aqui para expressar algo que se cria hoje e amanhã vem uma luz intensa e ofusca tudo de novo.
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