Ricardo Guilemond – Weblog

Tecnologia da Informação

Aprenda a programar em 21 dias! Mas aprenda direito em 20 anos!

Pois é, quando eu comecei a estudar uma Linguagem de Programação há 20 anos atrás, os recursos eram mínimos e programar era uma tarefa demasiadamente cansativa e demorada.

Eu comecei fazendo um curso de Linguagem Basic e Cobol para aplicações comerciais e logo entrei no DBase I, II,  III, DBase III Plus e Dialog Plus C. Então surgiu o Clipper, comecei pelo Summer 87 e depois CA-Clipper e Clipper 5.2 que me sustentou por pouco mais de dez anos em diversos sistemas comerciais e industriais que desenvolvi.

Dentre os sistemas em Clipper que eu desenvolvi estão Administração e Locação de Imóveis, Controle de Bilhetes de Passagens Aéreas para agências de viagens e a extinta Vasp, Controle de Custos para Indústrias Metalúrgicas, Monitorização com Peak Flow, Ventilografia, Mecânica Respiratória I e II, Saturação do Oxigênio no Sangue e outros sistemas para a área médica e para profissionais liberais, incluindo CTI, clínicas, hospitais, imobiliárias, associações, seguradoras, escritórios de advocacia, igrejas, indústrias de produtos descartáveis e outras mais.

Faz quase dez anos que desenvolvo em Delphi com bancos de dados MS-SQL, Firebird, Interbase e MySQL. Faz menos de quatro anos que tenho desenvolvido também sites em PHP, a começar pelo meu próprio. Leio qualquer sistema que possam escrever nestas Linguagens, e não tenho dificuldade alguma em aprender sobre novos recursos, hoje, são “infinitos” os novos recursos. São tantas as possibilidades que umas esbarram em outras.

Vejo centenas de empresas contratarem recém formados pelas diversas faculdades de informática e também profissionais entrevistados pelos diversos RH, mas ainda não vi ninguém valorizar a experiência e o conhecimento adquirido em uma carreira sólida. A profissão de programador tem sido claramente valorizada pelas inovações e novas descobertas, entretanto, eu percebo que tem havido um excesso de inovações e descobertas sem controle e sem direção. Contratam programadores com pouca experiência para trabalhos enormes e de grandes responsabilidades, no entanto, se esquecem de prever que para alguém aprender é preciso de outro alguém para ensinar. E este é quase o ponto, como estão vivendo os que ensinam?

Com toda a minha experiência ainda não consegui entender como se lançam livros baseados em marketing tão imprecisos como aquele que diz “Aprenda isso ou aprenda aquilo em 21 dias”. Levei seis meses fazendo um curso básico da Linguagem Deplhi e nos últimos dez anos ainda não parei de aprender coisas sobre esta ferramenta. Aí vejo recém formados tirarem os empregos dos mais experientes por apresentarem novas ideologias, novos projetos e tentadoras inovações.

O resultado final deste tipo de investimento tem sido desastroso. As empresas estão muito preocupadas com custos, porém, com os custos imediatos e por isso tem havido muita rotatividade. Elas se esquecem que custos pode não ter nada a ver com investimento.

Quem se preocupa em investir adequadamente sabe quanto poderá faturar no futuro mesmo que hoje os custos sejam altos. Portanto, um péssimo investimento seria a contratação de profissionais menos experientes para simplesmente baixar salários. Afinal, quem “manda” não é a ferramenta a ser utilizada. Pouco importa se vai ser Delphi ou Visual Basic, se vai ser PHP ou Java ou Python etc. quem “manda” é o profissional! É o profissional que desenvolve os recursos e aprimora as técnicas, e isto leva muito mais tempo que se possa imaginar ou que se consiga aceitar. Não se pode comparar um programador de 5 anos com outro de 10 anos, e nem tão pouco comparar um de 10 com outro de 20 anos de experiência.

Portanto, se alguém quer se aventurar no mundo da programação que se decida o quanto antes, pois o caminho é longo, árduo e não deixa ninguém rico, por que no Brasil só enriquece quem vende cigarro, automóvel e cerveja. O resto continua tentando entender como podem criar tantos recursos se não conseguimos absorvê-los em tempo real! Uma dica para as empresas que fomentam crescimento rápido a qualquer preço, pensem um pouco mais na tecnologia e experiência humana e não na ferramenta ou objetos que consomem nossos olhos e nossos bolsos. Um Fiat Uno pode ser menos veloz que um C4 Pallas, porém, garantidamente as peças serão mais baratas no Fiat Uno e podemos crer ainda que o motorista de ambos têm o mesmo propósito: chegar a algum lugar. O motorista aí seria o programador. Obviamente quem tem a experiência do trajeto terá mais chances de chegar independente do veículo que conduza. Portanto, se sua empresa está preocupada em investir, talvez seja melhor fazer investimentos de mão de obra e não nos exagerados objetos de consumo que enchem os “olhos” do mercado.

Você até pode aprender a programar em 21 dias, mas nunca aprenderá 100% de uma Linguagem em menos de 10 anos, por que não haverá sistema que possa absorver 100% de uma Linguagem de Programação como o Delphi, por exemplo.

Mas, não fique triste, com 20 anos de programação você já começa a se sentir o “rei da cocada preta”. Depois disso eu ainda não sei, mas sei que não gostaria de começar tudo outra vez!

Aproveite para fazer-me uma visita em meu Site: http://www.condetech-brasil.com.br

Terça-feira, 30 - Jun - 2009 Publicado por rguilemond | Informática | , , , , , , , , , , , , , , , , | Sem comentários ainda